"Minha alma está hoje triste até ao corpo. Todo eu me doo, memória, olhos e braços. Há como que um reumatismo em tudo o que sou. Não me influi no ser a clareza límpida do dia, céu de grande azul puro, maré alta parada de luz difusa. Não me abranda nada o leve sopro fresco, outonal como se o estio não esquecesse, como que o ar tem personalidade. Nada me é nada. Estou triste, mas não como uma tristeza definida, nem sequer com uma tristeza indefinida. Estou triste ali fora, na rua juncada de caixotes"
Bernado Soares, o outro.
Nada sisto é verdade, pelo menos hoje. A minha alma não esta nada triste, muito pelo contrário, e se em mim não acontece, não existe, logo não é verdade.
Que é bonitinho é... Alias, muito mais do que isso mas não passa de um novo exercico a que me propus. Abro o livro e lá vou eu...
Hoje calhou-me este, novo, pequeno e branco. As palavras andavam soltas e eu só as apanhei e colei aqui.
Pode ser uma sugestão, um passo para a reflexão, pode não passar do inutil mas também pode ser bem mais que qualquer coisa bonita.
Hoje é um dia de sol e nem o cinzento destas palavras me trazem uma "tristeza indefinida".
Elas já chegaram, medo???